Sobre o 1º Centenário da História

MARIO DRUMOND

 Xi Jiping, Secretário Geral do Partido Comunista da República Popular da China:

“Há um século, as armas da Revolução de Outubro abriram as luzes do marxismo-leninismo para a China. Na teoria científica do marxismo-leninismo as mentes avançadas da China encontraram as soluções para os problemas do país. E o povo chinês conquistou a independência, a liberdade, a prosperidade e a felicidade nacionais. Expressamos assim a nossa gratidão pela Revolução de Outubro que tanto contribuiu para a formação da China em que vivemos hoje.”

 Comentário oficial da Casa Branca, distribuído por seu serviço de imprensa:

“Hoje o Dia Nacional das Vítimas do Comunismo marca os 100 anos da revolução bolchevique na Rússia. A revolução bolchevique gerou a União Soviética e as décadas sombrias do comunismo repressivo, uma filosofia política incompatível com a liberdade, a prosperidade e a dignidade da vida humana. Ao longo do século passado, regimes totalitários comunistas mataram mais de 100 milhões de pessoas e impuseram explorações, violência e indescritíveis ruínas em todo o mundo. Hoje nos lembramos dos que morreram e de todos aqueles que ainda sofrem sob o comunismo. Nosso país reafirma sua inabalável determinação de inflamar a luz da liberdade para todos os que merecem um futuro mais livre.”

O primeiro texto é cristalino e digno de admiração pelo reconhecimento às raízes históricas do processo revolucionário que ajudou a China a ser a grande nação em que se tornou.

Já o texto que lhe segue, para ser entendido, requer leitura freudiana: “quando Pedro fala de Paulo, sabemos mais de Pedro que de Paulo”. Faz tempo que a Casa Branca não passa de cenário da farsa mal encenada e mal escrita, protagonizada contra o mundo pelo paroxismo esquizoide imperialista, mais afeita às análises psiquiátricas que as de política.

O fato é que o 1º Centenário da Revolução Soviética na Rússia teve uma comemoração popular surpreendente em todo o mundo. Talvez as desditas e os ataques que o processo revolucionário, em nível mundial, vem sofrendo nas últimas décadas tenha despertado a consciência dos povos para a importância da Revolução de Outubro de 1917, que, no calendário vigente, é comemorada na data de 7 de novembro. E foi a partir da Rússia de hoje, reerguida em sua dignidade e grandeza, que as bandeiras vermelhas se alçaram e tremularam mundo afora, numa exibição contundente e inesperada de alegria e esperança… e até de euforia.

Um clima de aurora, uma nova aurora para o novo século, parece ter contagiado os povos de todas as latitudes, encobrindo preconceitos, barreiras ideológicas e bloqueios midiáticos. Foi tal a quantidade de textos, fotos, filmes, vídeos e publicações, difundidas por todos os meios disponíveis ao cidadão comum, que superaram as manipulações das mídias reacionárias.

E tanto se disse, se escreveu e se debateu que a este editorial, para não ser redundante, só restou registrar e comemorar a espontaneidade de tamanha, tão grata e saborosa repercussão, especialmente pelo espírito de redenção e otimismo que a marcou.

O mundo está infeliz e cansado das “ruínas indescritíveis”, da violência, da barbárie, das matanças e genocídios que se tornaram lugar comum no dia a dia das telas de todos os dispositivos que as possuem, sejam fixos ou móveis, na ameaça permanente ao indivíduo e à humanidade que o desespero imperialista-capitalista vem promovendo em sua longa agonia.

A Revolução de Outubro de 1917 retorna à cena atual como um símbolo e um exemplo de que a Humanidade pode e deve ser, antes de tudo, humana.

Marx considerava o comunismo como o advento da História da Humanidade enquanto tal. Para ele, até então tudo é pré-História. Se Marx estivesse entre nós creio que ele não duvidaria em assinalar a Revolução de Outubro de 1917 como o marco divisor entre uma e outra. A Comuna de Paris teria sido a fagulha antecipadora sem, porém, alcançar a estatura do marco histórico.

No Seminário “Perspectivas do Desenvolvimento da Rússia no Centenário da Revolução de 1917”, promovido em São Paulo pelo Instituto Cláudio Campos e o Partido Pátria Livre (PPL), o Embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, respondendo ao desabafo derrotista de um dos presentes, contestou brilhantemente o seguinte: – Companheiro, a Comuna de Paris durou 72 dias. A União Soviética durou 72 anos!… (insinuando a duração da próxima etapa em escala geométrica).

Sem que nos esqueçamos da China. Outra revolução socialista vitoriosa e que está perto de completar 70 anos. E que, tal como a da Rússia, tirou um país da quase indigência para elevá-lo a potência mundial. A China é hoje, indubitavelmente, o país mais bem governado do mundo, pois é governado pelo Partido Comunista da República Popular da China. Que não se duvide do comunismo chinês cujo partido acaba de encerrar um congresso histórico no qual o atual líder, Xi Jiping, foi alçado à categoria de “Mestre da Revolução”, com a distinção de ter seu nome imortalizado no texto constitucional, ao lado dos de Mao Tsé Tung e Deng Xiaoping.

Também permanecem vivas e vitoriosas na resistência revolucionária as revoluções de Cuba, da Coréia do Norte e do Vietnam. Assim também, a Bielorússia, o Donbass (Ucrânia) e importantes regiões e setores sociais dos países que comungaram o socialismo da URSS. Caminham na luta revolucionária e socialista, com maior ou menor velocidade histórica, as revoluções de cepa bolivariana iniciadas na Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador.

Pelo que nos demonstraram as manifestações do Centenário, não há país do mundo em que a chama revolucionária não esteja presente e viva, ainda que em diferentes fases e situações de combate até a vitória final.

Viva a Revolução de Outubro de 1917!

Viva o 1º Centenário da História!

Venceremos!

Nota: Hoje, 9 de novembro, ao escrever estas linhas, percebo com satisfação que ninguém mais quer saber do “aniversário” da tal “queda do muro de Berlim”, tão cinicamente festejada há poucas décadas nesta mesma data e agora purgando o silêncio e o olvido a que se acabam reduzindo e anulando as fraudes e as manipulações da História.

 

Gouaches de Fernando Tavares / Grafismo tipográfico de Diogo Droschi

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