A História continua (*)

Mario Drumond

“É preciso, antes de tudo, estar disposto a conhecer a verdade, qualquer que seja ela.” (Claudio Campos, Secretário-Geral do MR-8 e fundador do HP, grifo dele)

Desmorona-se por completo a ditadura do capitalismo, com gravíssimos danos à vida humana e planetária, particularmente no ocidente submetido a seus terrores e horrores por mais de quinhentos anos. Palavras como “liberdade” e “democracia” são usadas a mansalva para justificar os maiores atropelos contra a liberdade e a democracia.

Termos contraditórios como “bombardeio humanitário”, “invasão para a salvação” (do país invadido) e “sanções pelos direitos humanos” são enunciados sem nenhum rubor por certas “autoridades” como argumentos para banalizar todo tipo de atrocidades, desde as medievais decapitações, crucificações, sevícias a crianças, massacres de comunidades pobres, aos roubos descarados de povos indefesos e derrubada de suas lideranças legítimas e populares, tudo distribuído, divulgado e difundido mundialmente e sem quaisquer critérios pelas grandes empresas de comunicação e suas tais “redes sociais”. Todos plugados no BigData.

É a falência total do sistema; econômica, política, social, filosófica, ideológica e moral.

A máscara da “credibilidade” de seus porta-vozes, disfarçados de “jornalistas”, se desfaz como manteiga no sol no beco sem saída em que se meteram. A cada dia que passa tentam uma nova “teoria” para encobrir fracassos ou justificar descalabros. O “fim da História”, o “caos construtivo”, a “mão invisível do mercado” entre outras banalidades de iupes tinque-tanques (um tinque de pensamento com a sutileza de um tanque de guerra) desagua agora, no labirinto de mentiras e “virtualidades” em que se enredaram, na bazófia da “era da pós-verdade” com que vocês, mercenários da “guerra da informação”, acreditam enganar seus públicos e a si mesmos pela ingênua falácia de que “a verdade não existe”, como se fossem uns poncios pilatos lavando as mãos imundas.

Então vamos começar por uma verdade que, sim, existe, e é inelutável: a vossa mediocridade!

Considerar a vossa produção intelectual como lixo desmerece o próprio lixo que, ao menos, possui a nobreza de poder ser reciclado para algo útil. Há os que os chamam de presstitutes (prostitutas da imprensa), mas isto também ofende a profissão “mais antiga”, uma vez que a submissão das prostitutas só se verifica durante a prestação do “serviço”, havendo, portanto, tempo para a dignidade. Não há termo no léxico ou inventado que possa caracterizá-los com justiça, e não vamos nos dar ao trabalho de procurá-lo.

Está chegando a hora da Justiça e aí terão de responder pelos danos que causaram, senhoras e senhores porta-vozes tarifados, pois aqui está outra verdade inelutável: a História continua!

O leitor pode estranhar as colocações acima num cenário que parece caminhar para o lado oposto. Em futuras entregas dissertaremos sobre os argumentos e informações que as sustentam pois nesta edição buscamos só uma breve introdução à retomada do fio da História, e restrita ao nosso caso brasileiro. Se formos mais longe e mais específicos teríamos um volumoso livro, que bem precisará ser escrito, e ao qual nos dispomos a somar com alguma contribuição, para que se fundamente com robustez a petição de Justiça que o mundo requer, pela irresponsabilidade e incompetência desses foliculários golpistas, se mencionarmos apenas os delitos mais leves entre os muitos e graves que cometeram, eles e seus amos.

Oswald de Andrade, em 1931, no jornal O Homem do Povo (o HP da época) defendia a tese de que o futuro do mundo só abria dois caminhos para a humanidade: o de Lenin e o de Capone. Infelizmente, para nós americanos, prevaleceu Capone.

No Brasil, como em toda a América do Sol, já se vão mais de meio século quando estávamos a ponto de conseguir a soberania nacional para que pudéssemos estancar as “perdas internacionais”, como bem as definia Brizola, e os governos pudessem dar a nossos povos “a maior soma de felicidade possível” (Bolívar), quando fomos dura e seguidamente golpeados.

Os textos históricos que Carlos Lopes selecionou para este suplemento, todos perfeitamente válidos e atuais em seus magistrais conteúdos, são provas irrefutáveis de que ali, naquele momento, paramos no tempo, ou melhor, retrocedemos nele. Até a Lei Áurea parece estar sendo suprimida nas atuais “reformas” que levam a cabo gangues de bandidos travestidos de deputados, senadores, magistrados, ministros e altos cargos executivos, incluindo-se o de “Presidente”.

Antes de proferir o seu discurso de filiação ao PPL, no dia 1º deste mês, na Assembleia Legislativa de São Paulo, João Vicente Goulart referiu-se ao “fio da História” como tema dos debates que teve com seus companheiros para decidirem-se a que Partido se filiariam. Foi esta referência que tomamos como gancho e tema desta edição, pela importância que implica ao pensamento contemporâneo. Se agora optarmos pela sobrevivência da Humanidade, temos de retomá-la pelo caminho da Democracia, ou seja, o caminho de Lenin.

Na entrevista de Sérgio Cruz com o engenheiro Ildo Sauer, que esteve à frente da área de Gás e Energia da Petrobrás entre 2003 e 2007, ele nos informa como e por quê o Brasil tem plenas condições de financiar seu desenvolvimento com independência e soberania, bastando para isto afastar-se das políticas neoliberais e entreguistas que tantos danos e retrocessos vem causando à nação nas últimas décadas.

Em seu discurso, publicado em destaque e na íntegra neste suplemento e que merece ser lido linha por linha, o novo membro do Partido Pátria Livre, sem defini-lo como tal, esboça o que seria um programa de governo aplicável ao momento histórico em que vivemos. E este programa nada mais é do que a atualização e a continuidade do governo que seu pai comandava em 1964 quando foi interrompido e golpeado pelos capangas de Capone.

É o discurso da retomada do fio da História, pois a História continua.

 

(*) D’aprés Campos, Claudio, A História Continua – 2ª edição aum. – São Paulo: Fundação Instituto Claudio Campos, 2015.

Ilustra este post o detalhe de uma fotografia publicada em Jango e eu que documenta João Vicente Goulart, em sua juventude, quando no exílio no Uruguai.

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