Querem o quê? Matar os brasileiros? Um genocídio?

Maíra Campos entrevista o Deputado Federal Arnaldo Faria de Sá

 

ASOL – Em que a reforma da previdência lesa os trabalhadores?

Arnaldo – Quando você estabelece a aposentadoria só aos 65 anos de idade, e a partir do cálculo da média dos benefícios, 51% das pessoas precisa de 49 anos de trabalho para ter direito a aposentadoria integral, não dá para aceitar, nós não concordamos. Já brigamos muito e já anunciou o governo que vai retirar as exigências de 65 anos para trabalhador rural. Isso não tem lógica, ele que hoje se aposenta com 60 anos o homem e 55 as mulheres, você acaba criando uma distorção. Outro problema é o benefício social que é 65 anos, um salário mínimo e o governo quer levar para 70 anos sem a garantia do salário mínimo.

O governo também sinalizou que vai voltar atrás nesse sentido e que também vai voltar atrás nos critérios da aposentadoria dos servidores professores e dos policiais. Outra posição de recuo do governo é em relação à regra de transição, que na proposta do governo está em 50 anos para o homem e 45 para mulher, agora está se admitindo fazer a partir dos 45 anos, isso diminui um pouco o tamanho do prejuízo do trabalhador. A gente tem lutado também no sentido de ampliar essas questões da pensão acumulativa com a aposentadoria. Proibir o acúmulo, que na maioria das vezes são de baixos valores, são coisas que a gente não pode concordar.

O governo já sinalizou que vai mudar, mas nós achamos que existe a necessidade de mais algumas alterações. Foi atendido trabalhador rural, o benefício assistencial, professores, policiais, mexeu-se na regra de transição, mas para o trabalhador do regime geral não mudou nada, então nós achamos que o governo precisa mudar a regra do regime geral que é onde estão a maioria dos trabalhadores.

Existe um regime próprio para os servidores, para os militares, daí o governo vem colocar tudo nas costas do trabalhador comum? Com isso a gente não pode concordar, eu não aceito de jeito nenhum, vou continuar lutando brigando. Já disse para o governo que não quero conversa mais, que eu quero enfrentar e vou buscar resultado.

O trabalhador não pode ser lesado, totalmente prejudicado, esse governo quer acabar com a fórmula 85/95, que é a única maneira de enfrentar o fator previdenciário, que hoje rouba cerca de 30 a 40% do benefício, dependendo da idade, se for homem a média é de 35 a 40%, se for mulher chega quase a 50%. Isso não pode continuar acontecendo temos que lutar para melhorar.

ASOL – O governo Temer já deu diversas desculpas para empurrar aos trabalhadores esta reforma da previdência, como por exemplo, em 2060 a previdência estará quebrada e por isso é necessário realizar a reforma.

Arnaldo – O governo diz que a Previdência está quebrada hoje, que vai continuar até 2060, mas ao mesmo tempo em que afirma isso, ele tira através da DRU, ano passado, R$120 bilhões da Seguridade Social. Considerando o período todo da DRU, 2023, o governo vai tirar a cerca de R$1 trilhão da Seguridade Social.

Os problemas da situação econômica do Brasil são os roubos da Petrobrás, dos fundos de pensão, da Eletrobrás, o ladrão do Sérgio Cabral que está lá na cadeia, em Bangu, tem que levar um monte de gente para lá. Eles quebraram o Rio de Janeiro e o governo pegou o exemplo do Rio para dizer que tem que reformar a Previdência. O Rio de Janeiro não é exemplo para nada, só é exemplo para quadrilhas, para facínoras, para ladrões.

O governo é o culpado. Ele está deteriorando a previdência pública para fazer o jogo da privada, é isso que eles estão fazendo. Estão no jogo do mercado financeiro, dos financistas que exigiram todo o problema do Brasil é a reforma da Previdência. Eles dizem “a reforma da Previdência vai melhorar economia”, “a reforma da Previdência vai melhorar emprego”, “a reforma da Previdência vai arrumar as contas do governo”, “a reforma da previdência para diminuir o déficit”, para esse governo tudo é a Previdência, o trabalhador é o culpado de tudo.

Quando foi que os trabalhadores tiveram lá discutindo todas essas questões com esse governo?  Não discutiu nada, só imposição do governo que vive intimidando a população com a reforma, mostrando a Previdência como quebrada e na verdade as pessoas que têm condição de contribuir ou não aí é que não vão contribuir. “Porque que eu vou contribuir para alguma coisa que está a quebrada?” – é o governo que vende essa história.

Outra coisa, governo reclama que o brasileiro vive muito e por isso precisa de reforma. Querem o que? Matar os brasileiros? Um genocídio? Eu quero que viva mais, muito mais, e que viva com qualidade de vida. Agora cortar, cortar, cortar, não dá. A maioria das pessoas não é abastada, é pobre, a maioria das pessoas não é rica, quer dizer rica de dinheiro né, porque a riqueza da vida eu acho que isso tem que ser valorizado e preservado, e não reclamada. Não dá para entender, tem que ter asco de discutir essa coisa com esse governo.

ASOL- Para reverter o quadro, quais são as ações que a Frente Parlamentar em defesa da Previdência está apoiando, ajudando?

Arnaldo – Nós temos tido várias ações para agora, no dia 28 de abril. Nós temos a oportunidade de dar uma resposta para o governo, da insatisfação popular de maneira geral.

O governo já está preocupado. O incidente do Paraguai, em que o povo invadiu o Senado e colocou o fogo, o da Venezuela em que o povo brigou para que o Maduro voltasse atrás, quando pediu para fechar o legislativo, foi com grande manifestação popular e isso de certa maneira chamou atenção do governo. Nós temos que verificar que é isso que vai acabar acontecendo no Brasil, não que eu esteja insuflando, não que eu esteja estimulando, mas a reação é essa, o povo está apavorado. Eu atendo todos os sábados aqui no escritório, hoje aumentou muito o atendimento porque o povo ficou assustado. “Vou perder minha aposentadoria”, “vou perder minha pensão”, “não vou ter mais direitos”, “eu vou continuar pagando”, todos questionam.

ASOL- o Sr não considera a reforma de previdência como alternativa para a melhora da economia, como já disse. Quais medidas o Sr, acha que levariam nosso país pra frente, de volta ao rumo do desenvolvimento social e econômico?

Arnaldo – Esse tem sido o alerta dos movimentos dos trabalhadores, porque o ano que vem tem eleição. Quer dizer, se a pessoa não tomar cuidado agora, ele pode ter o devido o troco amanhã e com justa razão, porque de repente se colocou tudo isso como um problema da solução de Economia.

Olha os juros baixaram pouco, a inflação caiu, a bolsa subiu, o dólar caiu, e o emprego não melhorou. O que eles alegavam é tudo falacioso. Nós já estamos no início do segundo trimestre e não aconteceu nada. O governo bradava “a coisa depois de março melhora”, passou março, não melhorou. “Ah, no segundo semestre melhora”, mas enquanto isso, eles estão tirando o direito dos trabalhadores.

A PEC do teto de gastos, a DRU que foi aprovada no final do ano passado, deu ao governo uma falsa ilusão de que ele podia fazer o que quisesse, o que bem entendesse, não é assim não, tem que respeitar a democracia.

Está provado que o governo está perdendo paulatinamente a sua sustentabilidade no Congresso. A solução ideal seria o TSE cumprir o seu papel e a gente fazer uma eleição direta, escolhendo alguém que tivesse comprometimento com a sociedade brasileira e a partir daí e realmente resolver os problemas do país. Esse governo lamentavelmente está bichado.

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