Neste Carnaval de 2017 o sonho ainda não acabou

José Sette
O Brasil não tem mais jeito, aqui não se ganha mais, com o voto, a luta política popular para combater os oportunistas, os idiotas, os vendilhões, os canalhas, os ignorantes, os mal informados, os equivocados, o judiciário, o congresso, o planalto.

Todos nós vivemos em um regime democrático falido e somos vendidos e enganados por eleições ganhas por partidos neófitos, súcia comandada por homens vazios, onde quem manda é o dinheiro, a troca de favores, o negócio e o sacerdócio dos que cultuam o poder ilustrado pela mídia facínora.

Só se ganha uma justa luta revolucionária sonhando, juntamente com o povo, a visão do paraíso perdido e do saber transformador, sabendo que só ele, o povo, pode enterrar de uma vez essa malta de safados que assolam a república.

Eu pergunto: como pode um país rico como o nosso, um continente banhado pelo sol o ano inteiro, que produz em abundância alimento e energia limpa, a biomassa, passar por uma série de dificuldades econômicas enquanto se deixa bilhões de dólares em reserva nos bancos estrangeiros? Como podemos ser pobres se possuímos as maiores reservas de minérios da terra – ferro, nióbio, manganês, além do petróleo e da água? Resposta: É simples, tudo é cobiçado e vendido a preço vil ao capital internacional que nos quer escravos de seus mesquinhos interesses.

Depois do golpe contra quem estava, aos trancos e barrancos, modificando, sem muito alarde, a situação dos trabalhadores e da maioria desprotegida desta nação, voltamos ao teatro dos enganos, a famigerada recessão, ao nada, ao que não se pode mensurar, lugar onde todos os tipos de sangrenta estupidez podem vir acontecer.

Não digam que a culpa está no passado corrupto da nação… isto é nada comparado com os prejuízos de um país estagnado sob o manto do falso moralismo positivista que nada teme. A corrupção está impregnada em todo mundo, é a fruta podre da árvore capitalista que todos querem comer e comem, de uma maneira ou de outra. Para se acabar com ela é preciso cortar a árvore e não só eliminar algumas frutas como se está tentando fazer.

Precisamos observar com atenção a vida e suas verdades, confrontando nossas observações realistas com nossos sonhos, realizando com esmero, passo a passo, as nossas fantasias revolucionárias.

Assim é que proponho, neste Carnaval de 2017, que sejamos libertários, revolucionários.

Nós necessitamos de uma revolução popular cultural nas avenidas deste país, feita com os artistas abrindo e cantando as várias marchinhas compostas em todo território nacional por poetas, músicos, cantores, representadas por dramaturgos, atores, pintores, cineastas, taumaturgos, artesãos, bailarinos, marceneiros, escultores, mágicos, fotógrafos, cenógrafos, figurinistas, maquiadores, etc., todos desfilando em um grande abre-alas dionisíaco, acompanhado pelo bloco dos trabalhadores da cidade e do campo, e depois, também, pelo poviléu desempregados, famélicos, os marginais de todo o país.

Lembremos que só no carnaval, festa do povo brasileiro, pode se dar o primeiro passo na organização do caos social que estamos vivendo. REFORMA GERAL BRASIL! Todos na rua sambando pela Criação do Novo Continente do Sol.

Adesão do editor:

A Imperatriz Leopoldinense vai atacar o agronegócio e a produção de alimentos lixo no Brasil. Entre as alas principais do próximo desfile estão a “fazendeiros e seus agrotóxicos”, a “pragas e doenças” e “a chegada dos invasores”. O samba enredo tem por tema a denúncia de que o Brasil não foi descoberto, mas invadido pelos portugueses no século XVI. Estamos sabendo, Imperatriz, e estamos com vocês, na vida e na avenida. Se ainda der, aproveitem a dica poética que segue abaixo do cartaz. Pode dar samba.

imperatriz-2017

“O índio é que era são.

“O índio é que era homem.

“O índio é que é o nosso modelo.

“Depois que veio a gente de fora. Por que? Gente tão diferente. Por que será?

“Tudo ficou estragado.”

(Oswald de Andrade – frag. do poema Porque Como)

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