Fernando Siqueira: missão de Pedro Parente é destruir a Petrobrás.

Sérgio Cruz

América do Sol apresenta nesta edição – toda ela dedicada ao tema da energia e do petróleo – as importantes informações do engenheiro Fernando Siqueira, que, além de integrante da direção da  Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), representa a entidade no Conselho de Administração da estatal petroleira. Fernando nos fala sobre o criminoso processo de destruição e desnacionalização da empresa pública mais importante do Brasil, levado a cabo por Pedro Parente & Cia.

Parte dessas informações constam de entrevista que Siqueira nos concedeu, além de posicionamentos feitos por ele nas Assembleias Gerais de Acionistas da Petrobrás. Algumas das informações enviadas por Fernando e publicadas neste suplemento são inéditas.
Fernando Siqueira

Fernando Siqueira

Siqueira faz um perfil detalhado do que representa Pedro Parente, atual presidente da Petrobrás, no processo de desmonte da empresa, iniciado na administração e Graça Foster e Ademir Bendine (governo Dilma).

O dirigente da AEPET lembra que Pedro Parente foi do Conselho de Administração da Petrobrás de 1999 a 2003 e nesse período ele comandou um processo de desnacionalização da companhia.  Ele denuncia que Parente volta agora para completar o “serviço” iniciado na administração tucana.

Antes de iniciar os relatos da destruição em curso da Petrobrás,  gostaríamos de apresentar aos leitores da América do Sol, um pouco da biografia deste batalhador incansável da causa da Petrobrás e da soberania nacional que é Fernando Siqueira. E, para fazê-lo da melhor forma possível, recorremos a um texto sobre Siqueira, escrito por um dos  principais colaboradores de América do Sol, o jornalista Carlos Lopes, redator-chefe do jornal Hora do Povo, integrante, assim como Fernando, da direção nacional do Partido Pátria Livre. Vamos conhecer um pouco deste que, assim como Getúlio Vargas, como o deputado Euzébio Rocha, como o general Horta Barbosa, como Nelson Werneck Sodré, e outros, é um dos grandes nomes e herdeiros da luta em defesa da Petrobrás.
Fernando Siqueira é um dos principais nomes da engenharia nacional
Originalmente engenheiro elétrico, tornou-se um especialista em petróleo – e um esteio da Petrobrás. Como Chefe da Divisão de Engenharia do Departamento de Produção (DEPRO) – depois, Chefe do Setor de Projetos Especiais e Superintendente de Projeto das Bacias de Campos e Santos -, Fernando foi projetista na construção das primeiras plataformas marítimas, encarregado de fiscalizar a sua construção, assim como foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas de extração de petróleo em águas profundas.
Foi, também, o principal responsável pela substituição de importações de equipamentos nas compras da Petrobrás, o que contribuiu para a criação de cerca de 5.000 empresas nacionais fornecedoras de equipamentos de petróleo e mais de 3.000 prestadoras de serviços de projeto, inspeção e manutenção – posteriormente quebradas, em prol das multinacionais, pelo criminoso “Repetro” do governo Fernando Henrique.
Por essa trajetória e por sua luta incansável pelo desenvolvimento e independência nacionais – em especial, em defesa do nosso petróleo e da Petrobrás -, Fernando Siqueira foi agraciado, em 2009, com o título de homem do ano no setor energia, outorgado pelo Sindicato de Engenheiros de São Paulo, Federação Nacional dos Engenheiros e Universidade de São Paulo (USP).
A vida de dedicação ao país e à sua maior empresa fez com que Fernando fosse eleito cinco vezes presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET). Atualmente, ele é vice-presidente desta entidade, assim como, também, do Clube de Engenharia.
Fernando, além de todas essas qualidades, se distingue por uma rara modéstia e simpatia – é um homem tranquilo, com uma impressionante serenidade que sublinha a sua firmeza de caráter. Em especial, é alguém que não se recusa a explicar as mais complexas questões (ou até as mais simples, se for o caso), seja a quem for.
Pelo contrário, é visível o seu prazer em ajudar um semelhante a conquistar novos conhecimentos. Nesse modo de se conduzir, transparece nele a profunda identificação com o nosso povo – não com algum conceito abstrato de “povo”, mas com cada pessoa que o compõe, com suas dificuldades, vicissitudes, sofrimentos, mas também com suas alegrias, esperanças e satisfações” (Vd. HP ed. 3.112 de 28 e 29 de novembro de 2012).
Quem é Pedro Parente?
“Pedro Parente foi do Conselho de Administração da Petrobrás de 1999 a 2003 e nesse período ele comandou um processo de desnacionalização da companhia. Ele vendeu 36% das ações na Bolsa de Nova Iorque por US$ 5 bilhões e elas valiam mais de US$ 100 bilhões. Ele fez uma troca de ativos seguindo uma proposta do Credit Suisse First Boston, que foi o banco que coordenou a privatização da YPF, que era a Petrobrás da Argentina. Então esse banco apresentou um plano à Petrobrás para privatizá-la por partes. Vendia-se as subsidiárias, depois dividia-se a holding em quarenta unidades de negócio e cada unidade seria privatizada isoladamente. Então esse plano foi adiante e chegou-se a privatizar a primeira unidade de negócio, que foi a Refap (Refinaria Alberto Pasqualini), no Rio Grande do Sul. Mas eles fizeram uma negociata e nós entramos na justiça e ganhamos a liminar. Eles perderam o processo. Nós ganhamos através do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Sul. Pedro Parente é réu nessa ação no superior Tribunal de Justiça. Agora o Pedro Parente retornou à Petrobrás para retomar o processo de desmonte da companhia. Então ele está vendendo os ativos mais estratégicos da empresa, a malha de gasodutos do Sudeste, está vendendo a maioria das ações da Petrobrás Distribuidora, está vendendo a participação no gás. Então esse processo que o Pedro Parente está conduzindo é a retomada do desmonte da Petrobrás como empresa nacional. Ele quer entregar o pré-sal para as empresas do cartel” (vd. HP ed. 3.504 de 18 e 19 de janeiro de 2017).
Segundo Fernando Siqueira, Pedro Parente é uma agente infiltrado para destruir a Petrobrás. “Ele é também presidente da BMF Bovespa, tendo acesso a importantes informações privilegiadas. Fernando lembra que Parente veio da presidência da Bunge, que está entrando pesado no ramo da petroquímica, biocombustíveis e fertilizantes”.
As relações de Pedro Parente com FHC e a privataria tucana
É da lavra dos petroleiros também, assinala Fernando, a lembrança das falcatruas em que esteve metido Pedro Parente por suas ligações íntimas com FHC. “Nas delações premiadas feitas por ex-diretores da Petrobrás durante as investigações da Lava Jato, foram revelados vários esquemas de corrupção período FHC, inclusive o recebimento de propinas para beneficiar o filho do ex-presidente em contratos com as termelétricas, quando Pedro Parente estava no Conselho de Administração da empresa e à frente do ministério do apagão.
Tratado como exemplo de gestor pela mídia, o executivo carrega em seu currículo processos por improbidade administrativa e gestão temerária, por beneficiar os amigos de FHC com recursos e bens públicos. Pedro Parente responde a ações nas 20° e 21° Varas Federais de Brasília por ter causado em 1994 um rombo de R$ 2,9 bilhões ao Estado, quando autorizou o Banco Central a socorrer financeiramente os bancos Econômico e Bamerindus, que estavam em processo de falência.
 Mais tarde, ele tornou a ter o seu nome envolvido em mais um episódio de favorecimento aos banqueiros amigos de FHC. Foi durante a privatização do Sistema Telebrás, em 1998, quando autorizou o Banco do Brasil a emitir sem garantias cartas de fiança para o consórcio em que o Grupo Opportunity disputava o leilão da Tele Norte Leste. No ano seguinte, a imprensa teve acesso a gravações telefônicas do presidente da República, que foram interceptadas e cujos diálogos revelaram esquemas para favorecimento do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. O fato ficou conhecido na época como o “escândalo do grampo do BNDES”. Pedro Parente era secretário executivo do Ministério da Fazenda e presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil”.
 Não é à toa que o presidente da Petrobrás é considerado pelo mercado o homem certo para conduzir os negócios da empresa. Ele mesmo já disse ao que veio, quando defendeu recentemente a venda de ativos para investidores estrangeiros que participavam da Rio Oil & Gas: “Aproveitem essa oportunidade, porque não vai existir no mundo outra tão boa quanto essa no setor de óleo e gás”. Nunca foi tão necessário defendermos a Petrobrás de sua diretoria.
E quem são os auxiliares de Parente na Petrobrás?
“O diretor Financeiro e Relacionamento com o Mercado, Ivan de Souza Monteiro, foi membro do Conselho de Administração da ULTRAPAR Participações S.A., cargo que renunciou para assumir a Diretoria da Petrobrás. A ULTRAPAR é maior acionista da distribuidora de combustíveis Ipiranga, das distribuidoras Extrafarma, Ultracargo, ULTRAGÁS, OXITENO, estando em negociações avançadas para comprar as ações da LIQUIGÁS, através de sua subsidiária ULTRAGÁS. Esse mesmo Diretor permaneceu e coordenou os já citados impairments na companhia;
2) O Diretor Executivo de Estratégia, Organização e Sistemas de Gestão,  Nelson Luiz Costa Silva, atuou em cargos expoentes nas empresas Comgás, COSAN, BG Group do Brasil, ALL – América Latina Logística, que hoje se constituem num conglomerado de empresas atuando no mercado de derivados de petróleo – pertencentes à Shell – e que tem grande interesse na privatização da BR Distribuidora, na LIQUIGÁS e no pré-sal, caracterizando um condenável conflito de interesses.
3) o presidente do Conselho de Administração da PETROBRÁS, Sr. Luiz Nelson Guedes Carvalho é membro efetivo do Conselho de Administração  da BMF-BOVESPA, e o Conselheiro Sr. Jolé Soledade Santos já o foi, em atividade paralela às que exercem na PETROBRÁS, durante os processos de venda da BR Distribuidora e da LIQUIGÁS Distribuidora, tendo obtido diversas decisões favoráveis às suas propostas. Não se pode afirmar que  houve ausência de influência junto à BOVESPA no julgamento dos recursos da Petrobrás” (voto de Siqueira na AGE da Petrobrás de novembro de 2016 ).
Privatização virou ‘master agreement’
Em um embate, em outra de suas intervenções nas assembleias de acionistas da estatal, Fernando desmascarou as tentativas de camuflar o processo de privatização atualmente em curso na Petrobrás. Ele lembrou que esses “disfarces” nos procedimentos entreguistas foram inventados pelas últimas administrações da empresa. “Privatização virou venda de ativos, que virou desinvestimento, que agora virou parceria estratégica, ou ‘master agreement'”, denunciou. Vejam o que ele disse diretamente ao atual presidente  da estatal:
“V. Sa, presidente Parente, também afirmou que a parceria [entrega de ativos da Petrobrás para a Total]não entra em conflito com a medida cautelar aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que proíbe a Petrobrás de assinar novos contratos de venda de ativos e de iniciar novos processos de vendas até que a corte analise os procedimentos dos desinvestimentos da estatal: V. Sa. declarou: “Existe uma claríssima diferença entre parceria estratégica e um desinvestimento. Este não é um desinvestimento. Entra na meta porque tem uma entrada de caixa e irá nos ajudar a pagar dívidas importantes. As preocupações do TCU é em relação a assinaturas de contratos, mas nós estamos fazendo um master agrement. Nós tivemos o cuidado de procurar a área técnica do TCU”. V.Sa. mudou o nome da transação: “não é venda, é um acordo conjunto de desenvolvimento”. Chegaria a ser cômico se não fosse tão trágico. Privatização virou venda de ativos, que virou desinvestimento, que agora virou parceria estratégica, ou “master agreement”.
Retrato da devastação comandada por Parente
O processo de desmonte da Petrobrás é descrito abaixo em detalhes pelo representante da AEPET em voto na Assembleia de Acionistas da empresa. Ele demonstra que a atuação de empresas estrangeiras, para as quais Pedro Parente está vendendo ativos, no pré-sal, vai significar um grande retrocesso no processo de exploração e processamento de Petróleo no Brasil.
Veja a lista de crimes cometidos por Pedro Parente:
1) a venda de 90% da malha de gasodutos Nova Transportadora Sudeste – NTS, de 2,5 mil km – por US$ 5,19 bilhões; para consórcio liderado pela Brookfield, antiga Brascan – canadense.
“Consideramos a operação de venda da NTS para um grupo de fundos de investimentos, liderados pela canadense Brookfield, lesiva ao País, à PETROBRÁS e a milhares de trabalhadores e também aos consumidores. Na realidade está sendo vendido um monopólio natural, que é a malha de gás, ao grupo estrangeiro que irá suprir a região mais industrializada e rica do país concentrando cerca de 60% do consumo brasileiro”.
“Decisão equivocada, anti-estratégica, que pode comprometer a segurança energética e a nossa Soberania. Ela aprofunda a já avassaladora desnacionalização de nossa economia, agravando o déficit das transações correntes com o mercado internacional”.
“A Brookfield é o antigo grupo canadense BRASCAN, que deu um golpe no país ao vender a light por US$ 1,5 bilhão no último ano da concessão. Essa decisão afronta o princípio constitucional da Ordem Econômica (artigo 173, § 4o): “A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros”.
“Os movimentos feitos e as ações já anunciadas deixam claro o objetivo da atual administração de alijar a Companhia do mercado de gás natural. Política absurda quando se sabe que o gás é produto estratégico, não renovável, segmento fundamental, de importância crescente na indústria do petróleo para a redução dos impactos ambientais. Além disso, deve-se considerar o expressivo aumento da produção brasileira de gás, originado do pré-sal, cujas jazidas têm elevada razão gás / óleo. Como a maioria do gás é associado ao petróleo, esse movimento é mais uma abertura para a entrada de companhias estrangeiras nas reservas da Petrobrás no pré-sal”.
“O contrato prevê uma cláusula que se você não usar 100% da malha, você paga os 100%. Ocorre que quando você projeta uma rede de gasoduto, você projeta com o dobro da capacidade porque você daqui a dez anos teria que fazer outra rede, então se você prevê que em dez anos vai usar o dobro da capacidade, você já projeta desde já para o dobro da capacidade em dez anos. A Petrobrás vai pagar a parte ociosa para a Brookfield. O outro absurdo é que você fica inteiramente na mão de um operador estrangeiro, um especulador que vai transportar o seu gás. E esse gás é associado ao petróleo brasileiro. Se você não movimentar esse gás, vai ter que parar a produção de petróleo. São dois descalabros a venda do gasoduto e o acordo com a Total”, denuncia Siqueira (Vd. HP ed. 3.112 de 28 e 29 de novembro de 2012).
2) Venda da participação de 66%, em campo do pré-sal – Carcará – para a Statoil Brasil Óleo e Gás
“O negócio foi feito por US$ 2,5 bilhões, sendo que o campo possui uma reserva provável de 1,3 bilhão de barris, ou seja, vendeu-se a reserve por valor irrisório. Três poços já foram perfurados e, tanto o tipo de rocha, as características do petróleo (leve, 31 graus API), a pressão, profundidade e espessura da coluna de acumulação encontrados indicam que é o mesmo reservatório encontrado nos dois primeiros poços, com espessura entre 320 e 470 metros (Libra tem pouco mais de 300 m, por exemplo) estão em linha do que o pessoal da área de petróleo já suspeitava desde 2012, como registrava uma nota da Agência Reuters em agosto daquele ano e confirmada poucos meses depois:
‘A expressiva coluna de Carcará tem potencial para colocar o prospecto no mesmo patamar das maiores descobertas do Brasil, ao lado de campos como Lula e Guará. Guará é hoje denominado Sapinhoá e onde estão os mais produtivos poços, na faixa de 40 mil barris/dia, cada), localizados na mesma região.’
3) Venda de 49% da subsidiária Gaspetro para a Mitsui Gás e Energia do Brasil:
Fernando lembra aqui que a Mitsui pagou propinas e não foi afastada dos “negócios” com a Petrobrás.  US$ 540 milhões, valor estimado US$ 2 bilhões. A Mitsui, segundo relatos de Cerveró e outros na lava-jato, pagou propinas a diversos políticos e também a dirigentes da Petrobrás.
4) Venda de 51% das ações da Petrobrás Distribuidora (BR)
 “Outra venda absurda pois, a BR é uma empresa altamente estratégica para o País e para a Petrobrás. É a única que leva combustível aos confins do Brasil, suprindo populações nos lugares mais difíceis. As outras empresas não o fazem porque o lucro é muito pequeno. A BR, além de ser uma grande geradora de fluxo de caixa para a Petrobrás é também altamente estratégica para a compra de combustíveis no País quando o preço no exterior for menor do que o nacional. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, o volume refinado em 2016 chegou a 670.068 milhões de barris, uma queda de 7,5% em relação a 2015. “Boa parte do recuo do refino está atrelado ao aumento da importação de combustíveis pelas concorrentes da Petrobrás, pois a estatal manteve os preços dos combustíveis acima dos preços internacionais” (O globo 26/01/2017 – pag.17). As empresas privadas irão certamente comprar no exterior, sempre que ocorrer essa condição, deixando as refinarias ociosas e gerando desemprego no País. Elas só visam lucro”.
O Cartel entra no Pré-sal
5) Venda de fatias nos campos Iara e Lapa do pré-sal
A negociata foi feita em ‘alegado acordo de parceria com a francesa Total’ por US$ 2,2 bilhões. “Iara tem uma reserva de 4 bilhões de barris, foram vendidos 22,5% dele. Logo, foram vendidos cerca de 900 milhões de barris. Lapa tem uma reserva provável de 500 milhões de barris, logo 35% corresponde a 175 milhões de barris. Reserva total vendida: 1,075 bilhão de barris, tendo a Petrobrás recebido US$ 1,6 bilhão mais a participação facultativa de 20% de um campo no Golfo do México. O restante será pago com o lucro dos campos. A Total será a operadora”, denuncia Fernando.
“A Total era uma estatal francesa, que se juntou com a Elf e com a Fina –Belga. Foram compradas pelo grupo Rotschild, sócio majoritário do cartel internacional do petróleo”
Em entrevista que nos concedeu há cerca de quinze dias, Fernando Siqueira revelou como a Total francesa passou a fazer parte do cartel internacional do petróleo. Vamos ver um trecho desta entrevista:
“A Total era um empresa francesa que se juntou com a Elf e a Fina da Bégica.  E as três foram compradas pelo dono do cartel que é a família Rothschild. A Total agora faz parte do cartel, é um braço do cartel.
No Campo de Libra foram entregues 20% para a Total e 20% para a Shell e as duas são do mesmo dono. Então esse acordo da Petrobrás com a Total é absolutamente lesivo ao interesse nacional. Ele não só está vendendo, por exemplo, o Campo de Iara, 22,5%, e mais 35% do Campo de Lapa, isso dá uma reserva na ordem de um bilhão de barris. Ele está vendendo para receber US$ 1,6 bilhão, ou seja, um dólar e pouco por barril. São 22,5% do campo de Iara que tem 4 bilhões de barris de reserva  e 35% do Campo de Lapa e de quebra ele está dando de presente a participação da Petrobrás que tem 50% do Campo de Xerelete Sul, na Bacia de Campos. Esse acordo com a Total é uma entrega do petróleo nacional para o cartel do petróleo. A Total faz parte desse cartel”.
Vejamos abaixo os pontos do “acordo” entre a Petrobrás e Total:
– cessão de direitos de 22,5% para a Total, na área da concessão de Iara (campos de Sururu, Berbigão e Oeste de Atapu) no Bloco BM-S-11. A Petrobrás continuará como operadora e a deter a maior participação dessa área, com 42,5% do total;
– cessão de direitos de 35% do campo de Lapa no Bloco BM-S-9 com a transferência da operação para Total, ficando a Petrobrás com 10% de participação nesta concessão;
– opção da Petrobrás de assumir 20% de participação no bloco 2 da área de Perdido Foldbelt no setor mexicano do Golfo do México, adquiridos pela Total em parceria com a Exxon, na rodada de licenciamento promovida pelo governo do México, em 05/12/2016; – compartilhamento do uso do terminal de regaseificação da Bahia, com capacidade de 14 milhões de m3/dia;
– parceria, com 50% de participação da Total, nas térmicas Rômulo de Almeida e Celso Furtado, localizadas na Bahia, com capacidade de geração de 322 MW de energia;
– estudos conjuntos nas áreas exploratórias da Margem Equatorial e na área sul da Bacia de Santos, aproveitando a sinergia existente entre as duas companhias, já que cada uma detém destacado conhecimento geológico nas bacias petrolíferas situadas nas duas margens do Atlântico;
– acordo de parceria tecnológica nas áreas de processamento geológico e sistemas de produção submarinos, onde as empresas detêm conhecimentos complementares e que podem potencializar os ganhos da aplicação de novas tecnologias nas áreas em parceria.
Um presente para a Total!
– doação dos direitos do campo de Xerelete para a Total
“A nosso ver existe uma ilegalidade brutal nessa transferência de bens da União sem qualquer respeito às norma legais. Como o TCU proibiu a venda de ativos, o presidente vislumbrou uma saída magistral: doou, o campo para a Total. “Vender não pode? Então doamos e seguimos a Lei”, denuncia Fernando.
6) Venda de 100% da Liquigás para a Ultragaz, subsidiária da Ultrapar: R$ 2,8 bilhões.
“A nosso ver existe um grande conflito de interesse nessa operação. O diretor financeiro Ivan de Souza Monteiro veio do grupo Ultrapar, que está comprando a Liquigás. O diretor comandou um processo de desvalorização de ativos que, em três anos, reduziu os ativos em R$ 113 bilhões: 48 em 2014, 49 em 2015 e 16 em 2016. Em 2015, a Companhia teve um lucro bruto de R$ 98,5 bilhões e o líquido de 15 bilhões. A desvalorização transformou o lucro em um rombo de 34 bilhões. Tudo isto é para justificar essa venda absurda dos ativos cruciais da Petrobrás. A preço de banana, com os ativos desvalorizados”.
7) Venda da Participação na Petroquímica Suape e Citepe para a Alpek.
“Todas as grandes petroleiras têm o seu braço petroquímico para diversificar e equilibrar as mudanças conjunturais. A Petrobrás está saindo novamente desse importante segmento. É o desmonte”.
Os próximos passos do plano de entrega do patrimônio nacional
Transações aprovadas:
– 100% da refinaria NSS, localizada no Japão, por US$ 165 milhões – “A Petrobrás informa que finalizou, nesta quarta-feira (28/12), a venda de 100% das ações da Nansei Sekiyu (“NSS”) para a Taiyo Oil Company (“Taiyo”). A operação foi concluída com o pagamento de US$ 165 milhões pela Taiyo, realizado após o cumprimento de todas as condições precedentes previstas no contrato, assinado em 17 de outubro de 2016”.
– 49% na produtora de etanol Nova Fronteira, por US$ 133 milhões
– 67,19% na Petrobrás Argentina (PESA), vendida para a Pampa Energía: US$ 897 milhões
– 100% da Petrobrás Chile Distribuición (PCD), vendida para Souther Cross Group: US$ 464 milhões
“Todas essas transações têm transparência zero. Não se fala em licitação, avaliação dos preços reais dos ativos por auditores independentes; agora sim, a Petrobrás virou uma caixa preta”, denuncia o vice-presidente da AEPET.
O que está em negociação:
– Ativos na Argentina para a Companhia Geral de Combustíveis (CGC): US$ 101 milhões
– Ajuste de preço da petroquímica Innova, vendida à Videolar, e ativos na Colômbia: US$ 92 milhões
– terminais de gás natural liquefeito (GNL) e termelétricas associadas
– participação na BR Distribuidora
– 100% do campo de Baúna (no pós-sal da Bacia de Santos) e 50% de Tartaruga Verde (no pós-sal da Bacia de Campos) para a Karoon Gas Australia
– outras participações em campos de petróleo e gás em terra e em águas rasas
– fábricas de fertilizantes
– participações em outras petroquímicas (saída da Braskem depende de acordo de acionistas)
Fernando:  as alternativas reais vão em direção oposta ao que Parente está fazendo
Ao mesmo tempo que denuncia, Fernando Siqueira mostra à presidência da Petrobrás que existem outras alternativas ao “desinvestimento”. Ele faz isso para o bem da Petrobrás e do Brasil, mas essa administração, comandada por Temer e pelos tucanos, aproveitando-se da porteira aberta pelo petismo, que iniciou a entrega do pré-sal (Libra) e se integrou  – e se submeteu  – ao cartel que assaltou a estatal, não tem a menor intenção de fortalcer a Petrobrás. Ele estão ali para atender de forma abjeta a seus amos do cartel do petróleo e dos monopólios financeiros.
“A Aepet fez carta a V.Sa. mostrando 10 alternativas à venda de ativos. Depois disto, o BNDES disse que vai devolver R$ 100 bilhões para o Governo “por falta de tomador”, pois a Petrobrás, que poderia usar esses recursos para normalizar suas dívidas de curto prazo, podendo retomar seus grandes projetos não se interessa por eles. Outro exemplo de saída para a Companhia: ela foi ao mercado internacional tomar empréstimo de US$ 2 bilhões e voltou com R$ 4 bilhões. Sendo R$ 2 bi a juros de 6,5% e prazo de cinco anos e R$ 2 bi com prazo de 10 anos e juros de 7.25%. Ambos abaixo das taxas de mercado. Portanto, a Petrobrás mantem o seu prestígio lá fora, inclusive junto ao mercado financeiro. Ela só perdeu prestígio no Brasil em face de uma campanha insidiosa da nossa mídia entreguista, o chamado PIG – Partido da Imprensa Golpista.
Portanto, são mais provas incontestáveis de que a Petrobrás pode rolar sua dívida sem precisar vender seus ativos estratégicos. Por essas e outras é que achamos que V.Sa. Senhor Pedro Parente está retomando o processo que, como Conselheiro de Administração, comandou em sua gestão de 1999 a 2003: era o processo de desnacionalização da Petrobrás, que chegou a mudar seu nome para Petrobrax”.
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