China – O futuro está no sol

Rodrigo Leste e Mario Drumond

A mídia ocidental é especialista em apresentar a China como o modelo de país predador, que desrespeita todos os acordos internacionais de proteção do meio ambiente, poluidor-mor mundial, campeão em degradação, etc. e tal. Pesquisamos o assunto e encontramos um quadro que contradiz totalmente a visão negativa com que o País é apresentado pelos meios de comunicação de um modo geral. Os chineses operam profundas transformações para superar a dependência da energia fóssil e não renovável, e passarem a utilizar, cada vez mais, fontes de energia limpa.

 

CIDADES MOVIDAS A ENERGIA SOLAR

Dezhou (5 milhões de habitantes é também conhecida como Vale do Sol) é a maior base urbana de energia solar do mundo.

Dezhou (5 milhões de habitantes é também conhecida como Vale do Sol) é a maior base urbana de energia solar do mundo.

 

DEZHOU – SOLAR VALLEY (CHINA)

Não há em nenhum outro lugar do mundo algo semelhante. Uma cidade movida quase que exclusivamente por um sem número de painéis solares que recobrem todas as superfícies, desde o topo dos edifícios até o teto dos ônibus do serviço público de transporte.

Links sobre DEZHOU: http://permaculturenews.org/2013/08/29/dezhou-solar-city-china/

Vídeo:

 

RIZHAO – SOLAR CITY (CHINA)

Rizhao (3 milhões de ambientes é também conhecida como Cidade do Sol)

Rizhao (3 milhões de habitantes é também conhecida como Cidade do Sol)

Os edifícios em Rizhao, uma cidade costeira na península de Shandong, no norte da China, têm uma aparência diferente: a maioria dos telhados e paredes são cobertas por painéis solares.

Na cidade de Rizhao, que significa City of Sunshine em chinês, 99 por cento dos lares nos distritos centrais usam aquecedores solares de água, e a maioria dos semáforos, luzes de rua e parque são alimentados por células fotovoltaicas (PV). Nos subúrbios e aldeias, mais de 30 por cento das famílias usam aquecedores de água solares, e mais de 6.000 casas têm instalações de cozinha solar. Mais de 60.000 estufas são aquecidas por painéis solares, reduzindo os custos gerais para os agricultores nas áreas próximas. No total, a cidade tem mais de meio milhão de metros quadrados de painéis de aquecimento solar de água, o equivalente a cerca de 0,5 megawatts de aquecedores elétricos de água. O fato de que Rizhao seja uma cidade chinesa pequena (para a China) e comum, com renda per capita menor do que a maioria das outras cidades da região, torna a história ainda mais notável. A conquista foi resultado de uma convergência incomum de três fatores-chave: uma política governamental que incentiva o uso da energia solar e apoia financeiramente a pesquisa e o seu desenvolvimento, as indústrias de painéis solares locais que aproveitaram a oportunidade e melhoraram seus produtos e a forte vontade política da cidade, congregando cidadãos e governantes.

Leias mais: http://www.renewableenergyworld.com/articles/2007/05/chinas-solar-powered-city-48605.html

 

Dois novos recordes mundiais de energia limpa

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Apesar das dificuldades impostas pelas condições climáticas, as grandes áreas inóspitas que ocupam boa parte de seu território, como o deserto de Gobi, cuja extensão é mais ou menos a do Estado do Pará, a enorme população e a dificuldade em equacionar as diferentes demandas sociais, econômicas e políticas, os avanços, ora em curso são capazes de colocar o País na vanguarda da captação de energia solar e eólica no mundo.

Segundo o site “Ciclovivo”, a China alcançou dois novos recordes mundiais de energia limpa em 2015 – o primeiro por instalar 30,5 gigawatts (GW) de energia eólica em um único ano, e o segundo por instalar 16,5GW de energia solar.

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“Após divulgação dos relatórios no início desta semana, que anunciavam diminuição de 4-5% no consumo de carvão na China, em 2015, isso só vem a confirmar que os mercados globais de energia elétrica estão se transformando muito mais rapidamente do que se esperava”, disse Tim Buckley, diretor de Estudos em Finanças em Energia do Instituto de Economia e Análise Financeira em Energia – Institute for Energy Economics and Financial Analysis (IEEFA).

“Estima-se que a capacidade eólica total cumulativa que foi instalada em toda a China tenha alcançado 145GW até o final de 2015. Isso é quase o dobro das instalações cumulativas de 75GW nos EUA, mais que o triplo de 43GW de energia eólica estimada na Alemanha (terceira maior produtora do mundo) e mais do que cinco vezes os 26GW instalados na Índia até hoje (4º colocado globalmente)”, disse Buckley.

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Acredita-se que as instalações de energia solar na China em 2015 estabeleceram um novo recorde mundial para instalações anuais estimadas, conforme foi relatado nos meios de comunicação da indústria de energia solar fotovoltaica chinesa nessa semana. A Alemanha no seu melhor ano alcançou um então recorde de 7,6GW de energia solar em 2012, enquanto a China relatou a instalação de 12,9GW em 2013, antes da manipulação política de incentivo a maior geração distribuída de painéis solares sofrer uma desaceleração nas instalações em 2014.

"View of solar and wind power street lights along a street in Sanya city, south Chinas Hainan province, 9 February 2010."

Iluminação de rua solar-eólica em  Sanya, cidade da província de Hainan, no sul da China (foto de 2010)

Segue o link para quem quiser ler a matéria na íntegra: http://ciclovivo.com.br/noticia/china-bate-recorde-mundial-na-producao-de-energia-eolica-e-solar/

 

“Com esse sol e essas mulheres!” – Oswald de Andrade

Nós brasileiros, pensantes, nos perguntamos sempre: — Energia solar? Por que não estamos na frente? Não é difícil imaginar quem emperra os avanços, quem leva vantagem com o atraso… São os mesmos de sempre: os setores reacionários representados por banqueiros, ruralistas, especuladores em geral, lacaios das grandes corporações, vampiros e sanguessugas, que preferem ver tudo ruir do que largar o osso.

(Rodrigo Leste)

O professor Heitor Scalambrini Costa, da UFP — Universidade Federal de Pernambuco — publicou uma excelente matéria examinando o assunto: “Por que a energia solar não deslancha no Brasil?” (3 de setembro de 2015)

Ele começa assim: a capacidade instalada no Brasil, levando em conta todos os tipos de usinas que produzem energia elétrica, é da ordem de 132 gigawatts (GW). Deste total menos de 0,0008% é produzida com sistemas solares fotovoltaicos (transformam diretamente a luz do Sol em energia elétrica). Só este dado nos faz refletir sobre as causas que levam nosso país a tão baixa utilização desta fonte energética tão abundante, e com características únicas.

O Brasil é um dos poucos países no mundo, que recebe uma insolação (numero de horas de brilho do Sol) superior a 3000 horas por ano. E na região Nordeste conta com uma incidência média diária entre 4,5 a 6 kWh. Por si só estes números colocam o pais em destaque no que se refere ao potencial solar.

Diante desta abundância, por que persistimos em negar tão grande potencial? Por dezenas de anos, os gestores do sistema elétrico (praticamente os mesmos) insistiram na tecla de que a fonte solar é cara, portanto inviável economicamente, quando comparadas com as tradicionais. Até a “Velhinha de Taubaté” (personagem do magistral Luis Fernando Veríssimo), que ficou conhecida nacionalmente por ser a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo militar, sabe que o preço e a viabilidade de uma dada fonte energética dependem muito da implementação de políticas públicas, de incentivos, de crédito com baixos juros, de redução de impostos. Enfim, de vontade política para fazer acontecer.

Segue o link: http://outraspalavras.net/blog/2015/09/03/por-que-a-energia-solar-nao-deslancha-no-brasil/

 

Planos da China para a política energética nos próximos cinco anos – 13 º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico e Social (2016-2020)

Segundo site China Dialogue, “o país está visando aumentar o uso de energia renovável, embora diferentes fontes de informação diferem na escala de ajuste para cima. Em junho de 2016, de um administrador adjunto da Administração Nacional de Energia (NEA) indicou que o vento e capacidade instalada solar deve chegar a 210GW e 110 GW, respectivamente, em 2020, superior ao que foi declarado no final de 2014. Esses números parecem ter crescido ainda além de 250GW e 150GW nas informações mais recentes divulgadas pelo Economic Reference”. Em 2020, a China terá 50% de seu consumo de energia provido por fontes alternativas e limpas, com destaque para energia solar. E no Brasil? Vamos para mais baixo ainda do que os atuais 0,0008%?

Segue o link: https://www.chinadialogue.net/blog/9113-All-eyes-on-China-s-13th-Five-Year-Plan-for-energy/en

 

 

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