Apresentação

Mario Drumond

 América do Sol, cuja publicação será trimestral e sempre dedicada a um tema essencial da realidade brasileira e latino-americana, é um projeto editorial inovador na linguagem jornalística. Busca relacionar estruturalmente a linguagem gráfica (impressa em papel) com a linguagem digital (ou virtual, visualizada em tela eletrônica), valendo-se das manifestações de arte, tais como a literatura e as artes plásticas, como elementos catalisadores.

A ferramenta de integração se faz pelos QRCodes, códigos gráfico-visuais que, dispostos estrategicamente na página impressa, remetem, a partir da leitura feita em smartphone, aos respectivos links na página virtual em que se desenvolvem muito mais amplamente os conteúdos publicados, possibilitando a leitura simultânea dos modos gráfico e virtual da publicação.

A edição impressa de um jornal é, atualmente, limitada e lenta quanto ao seu alcance espacial e quantitativo. Porém, é mais perene do que a edição digital, cujo alcance no espaço é ilimitado e imediato, mas perde validade ou “envelhece” qualitativa e rapidamente, no tempo, logo depois de publicada.

A integração das duas linguagens poderá criar um melhor equilíbrio entre o tempo e o espaço de veiculação da informação, ampliando em particular a coordenada de tempo e se revelar útil à consciência crítica do leitor. A consciência crítica é desejável em todo o leitor de um meio de comunicação que cumpre com rigor a sua missão de informar a realidade. Ela exige um domínio da historicidade da informação uma vez que a realidade é um processo permanente de transformação de si mesma que se produz ao longo do tempo histórico.

Outra inovação neste experimento jornalístico de vanguarda reside na estruturação de uma pauta de interesse atual (e não de atualidade) provocada (gancho) pelas referências artísticas e históricas que possam dar suporte e nobreza à informação veiculada. Neste caso, a poesia e as artes plásticas participam em ambos os modos da publicação como informação central e tema motivador da pauta, e não como informação acessória, secundária ou ilustrativa, como normalmente são utilizadas nas publicações convencionais.

O projeto inova também no campo da tecnologia, envolvendo as diversas e históricas tecnologias  que foram aplicadas à informação impressa em papel desde Gutemberg. Para isto, o laboratório gráfico Papel e Tinta Graphica e Editora de Arte, sob a direção do editor Mario Drumond e do artista plástico Fernando Tavares, pesquisa a aplicação da tipografia de caixa, da gravura em metal e da xilogravura em busca de novas contribuições do antigo e o moderno combinados com as atuais tecnologias de publicação virtual para as edições do suplemento. Participam da pesquisa o artista gráfico Diogo Droschi, o webdesign Carlyle Cardoso, o fotógrafo Leo Drumond e o escritor e poeta Rodrigo Leste.

Assim também, no campo da informação fotográfica o suplemento está promovendo um convênio com a ARFOC – Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de Minas Gerais para uma nova abordagem dos conteúdos em modos gráficos (impressos) e virtuais. Nesta edição, além de publicarmos um belo e contundente material fotográfico, inédito por ter sido desprezado pela mídia convencional, lançamos em primeira mão um vídeo elaborado pela ARFOC que surge como revelador dos propósitos vanguardistas de seus autores em uma edição audiovisual da infernização do paraíso focada no desastre de Mariana.

Todos esses experimentos já se fazem presentes desde esta primeira edição do suplemento América do Sol, cujo tema é a Mineração e tem por gancho o livro poema do poeta Rodrigo Leste intitulado A Infernização do Paraíso e a gravura em metal do artista Fernando Tavares. A segunda edição, prevista para julho terá como pauta a Agricultura, tendo por gancho a Carta de Caminha e a xilogravura do mesmo Fernando Tavares. A terceira, para outubro, a Educação. E assim por diante. Caberá ao leitor conferir.